Mimimi

Saiu hoje na Folha um texto todo reclamão e polêmico que desabafei semana passada. Vi que teve gente entendeu errado – por isso é bom deixar três coisas claras:

1. De jeito nenhum eu concordo com os fascistas que no domingo da eleição dispararam bobagens contra os nordestinos. E sei muito bem que os nordestinos não decidiram a vitória de Dilma (o termo que uso é “garantir”; há uma grande diferença entre os dois verbos).

2. Algumas pessoas estão dizendo que o texto é “contra os pobres”. Eu me refiro a ignorantes políticos de qualquer classe e qualquer região do país. Quem acha que ignorante político é pobre está revelando seu preconceito.

3. Pra quem não tiver paciência de ler, basta ver este video. O conteúdo é quase o mesmo.

Agora sim, o artigo:

Sim, eu tenho preconceito

Logo depois de anunciada a vitória de Dilma Rousseff, pingaram comentários preconceituosos na internet contra os nordestinos, grupo que garantiu a vitória da candidata petista nas eleições.
A devida reação veio no dia seguinte: a expressão “orgulho de ser nordestino” passou a segunda-feira como uma das mais escritas no microblog Twitter.
O racismo das primeiras mensagens é, obviamente, estúpido e reprovável. Não se pode dizer o mesmo de outro tipo de preconceito -aquele relacionado não à origem ou aos traços físicos dos cidadãos, mas ao modo como as pessoas pensam e votam. Nesse caso, eu preciso admitir: sim, eu tenho preconceito.
Eu tenho preconceito contra os cidadãos que nem sequer sabiam, dois meses antes da eleição, quem eram os candidatos a presidente. No fim de julho, antes de o horário eleitoral começar, as pesquisas espontâneas (aquela em que o entrevistador não mostra o nome dos candidatos) tinham percentual de acerto de 45%. Os outros 55% não sabiam dizer o nome dos concorrentes. Isso depois de jornais e canais de TV divulgarem diariamente a agenda dos presidenciáveis.
É interessante imaginar a postura desse cidadão diante dos entrevistadores. Vem à mente uma espécie de Homer Simpson verde e amarelo, soltando monossílabos enquanto coça a barriga: “Eu… hum… não sei… hum… o que você… hum… está falando”. Foi gente assim, de todas as regiões do país, que decidiu a eleição.
Tampouco simpatizo com quem tem graves deficiências educacionais e se mostra contente com isso e apto a decidir os rumos do país.
São sujeitos que não se dão conta de contradições básicas de raciocínio: são a favor do corte de impostos e do aumento dos gastos do Estado; reprovam o aborto, mas acham que as mulheres que tentam interromper a gravidez não devem ser presas; são contra a privatização, mas não largam o terceiro celular dos últimos dois anos. “Olha, hum… tem até câmera!”.
Para gente assim, a vergonha é uma característica redentora; o orgulho é patético. Abster-se do voto, como fizeram cerca de 20% de brasileiros, é, nesse caso, um requisito ético. Também seria ótimo não precisar conviver com os 30% de eleitores que, segundo o Datafolha, não se lembravam, duas semanas depois da eleição, em quem tinham votado para deputado.
Não estou disposto a adotar uma postura relativista e entender esses indivíduos. Prefiro discriminá-los. Eu tenho preconceito contra quem adere ao “rouba, mas faz”, sejam esses feitos grandes obras urbanas ou conquistas econômicas.
Contra quem se vale de um marketing da pobreza e culpa os outros (geralmente as potências mundiais, os “coronéis”, os grandes empresários) por seus problemas. Como é preciso conviver com opiniões diferentes, eu faço um tremendo esforço para não prejulgar quem ainda defende Cuba e acredita em mitos marxistas que tornariam possível a existência de um “candidato dos pobres” contra um “candidato dos ricos”.
Afinal, se há alguma receita testada e aprovada contra a pobreza, uma feliz receita que salvou milhões de pessoas da miséria nas últimas décadas, é aquela que considera a melhor ajuda aos pobres a atitude de facilitar a vida dos criadores de riqueza.
É o caso do Chile e de Cingapura, onde a abertura da economia e a extinção de taxas e impostos fizeram bem tanto aos ricos quanto aos pobres. Não é o caso da Venezuela e da Bolívia.
Por fim, eu nutro um declarado e saboroso preconceito contra quem insiste em pregar o orgulho de sua origem. Uma das atitudes mais nobres que alguém pode tomar é negar suas próprias raízes e reavaliá-las com equilíbrio, percebendo o que há nelas de louvável e perverso. Quem precisa de raiz é árvore.

Sim, eu tenho preconceito LEANDRO NARLOCH 


Eu tenho preconceito contra quem se vale de um marketing da pobreza e culpa os outros (geralmente, as potências mundiais) por seus problemas 


Logo depois de anunciada a vitória de Dilma Rousseff, pingaram comentários preconceituosos na internet contra os nordestinos, grupo que garantiu a vitória da candidata petista nas eleições.
A devida reação veio no dia seguinte: a expressão “orgulho de ser nordestino” passou a segunda-feira como uma das mais escritas no microblog Twitter.
O racismo das primeiras mensagens é, obviamente, estúpido e reprovável. Não se pode dizer o mesmo de outro tipo de preconceito -aquele relacionado não à origem ou aos traços físicos dos cidadãos, mas ao modo como as pessoas pensam e votam. Nesse caso, eu preciso admitir: sim, eu tenho preconceito.
Eu tenho preconceito contra os cidadãos que nem sequer sabiam, dois meses antes da eleição, quem eram os candidatos a presidente. No fim de julho, antes de o horário eleitoral começar, as pesquisas espontâneas (aquela em que o entrevistador não mostra o nome dos candidatos) tinham percentual de acerto de 45%. Os outros 55% não sabiam dizer o nome dos concorrentes. Isso depois de jornais e canais de TV divulgarem diariamente a agenda dos presidenciáveis.
É interessante imaginar a postura desse cidadão diante dos entrevistadores. Vem à mente uma espécie de Homer Simpson verde e amarelo, soltando monossílabos enquanto coça a barriga: “Eu… hum… não sei… hum… o que você… hum… está falando”. Foi gente assim, de todas as regiões do país, que decidiu a eleição.
Tampouco simpatizo com quem tem graves deficiências educacionais e se mostra contente com isso e apto a decidir os rumos do país.
São sujeitos que não se dão conta de contradições básicas de raciocínio: são a favor do corte de impostos e do aumento dos gastos do Estado; reprovam o aborto, mas acham que as mulheres que tentam interromper a gravidez não devem ser presas; são contra a privatização, mas não largam o terceiro celular dos últimos dois anos. “Olha, hum… tem até câmera!”.
Para gente assim, a vergonha é uma característica redentora; o orgulho é patético. Abster-se do voto, como fizeram cerca de 20% de brasileiros, é, nesse caso, um requisito ético. Também seria ótimo não precisar conviver com os 30% de eleitores que, segundo o Datafolha, não se lembravam, duas semanas depois da eleição, em quem tinham votado para deputado.
Não estou disposto a adotar uma postura relativista e entender esses indivíduos. Prefiro discriminá-los. Eu tenho preconceito contra quem adere ao “rouba, mas faz”, sejam esses feitos grandes obras urbanas ou conquistas econômicas.
Contra quem se vale de um marketing da pobreza e culpa os outros (geralmente as potências mundiais, os “coronéis”, os grandes empresários) por seus problemas. Como é preciso conviver com opiniões diferentes, eu faço um tremendo esforço para não prejulgar quem ainda defende Cuba e acredita em mitos marxistas que tornariam possível a existência de um “candidato dos pobres” contra um “candidato dos ricos”.
Afinal, se há alguma receita testada e aprovada contra a pobreza, uma feliz receita que salvou milhões de pessoas da miséria nas últimas décadas, é aquela que considera a melhor ajuda aos pobres a atitude de facilitar a vida dos criadores de riqueza.
É o caso do Chile e de Cingapura, onde a abertura da economia e a extinção de taxas e impostos fizeram bem tanto aos ricos quanto aos pobres. Não é o caso da Venezuela e da Bolívia.
Por fim, eu nutro um declarado e saboroso preconceito contra quem insiste em pregar o orgulho de sua origem. Uma das atitudes mais nobres que alguém pode tomar é negar suas próprias raízes e reavaliá-las com equilíbrio, percebendo o que há nelas de louvável e perverso. Quem precisa de raiz é árvore.

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O PSOL é contra os pobres?

Dia desses, almoçando com uns amigos que pregam a liberdade econômica no Brasil, percebi que o pior cenário para os pobres brasileiros seria a vitória de algum partido nanico da esquerda. Quem é “contra burguês” também é contra os pobres.  Esse raciocínio virou um artigo para o Instituto Millenium. Abaixo destaco os trechos mais legais.

Receita de pobreza

É difícil imaginar uma receita de criação de pobreza mais eficiente que a proposta pelos partidos nanicos da esquerda.

De todas as contradições desta eleição, a mais interessante é a que envolve os partidos radicais da esquerda (PSOL, PSTU, PCO) e suas propostas para acabar com a miséria e a desigualdade. Nos debates, no horário eleitoral, nas entrevistas, os candidatos desses partidos falam sobre os baixos salários, mostram cenas de crianças miseráveis, desfilam como os grandes defensores da igualdade, os maiores inimigos dos ricos. Mas prometem justamente as medidas que, em todos os países em que foram implantadas, resultaram em mais miséria, mais pobreza, mais burocratas com um poder desigual diante dos outros cidadãos.

O PSOL, de Plínio de Arruda Sampaio, sugere reestatizar empresas privatizadas e “refundar a estratégia do socialismo”. O PCO diz que vai suspender o pagamento da dívida pública. E os candidatos do PSTU afirmam que o único meio de acabar com a fome é romper com o imperialismo mundial e o FMI. É difícil imaginar uma receita de criação de pobreza mais eficiente que a proposta por esses partidos.

A economia fechada e o aumento do Estado fizeram a Argentina, que já foi o único país do Primeiro Mundo na América do Sul, patinar por todo o século 20. Depois do famoso calote de 2002, mais de 2 milhões de argentinos se tornaram pobres num único mês. Na Venezuela, o “socialismo do século 21” aumentou o número de bebês subnutridos (de 8,4% para 9,1% entre 1999 e 2006), as casas sem acesso a água, a pobreza e o índice de Gini, que mede a desigualdade econômica. A economia deve diminuir entre 3% e 6% em 2010 – enquanto os vizinhos comemoram os tempos de prosperidade.

Mais que multiplicar a pobreza, esse modelo cria uma desigualdade institucional que lembra os tempos de nobreza e feudalismo. Como descreveu Otto Graf Lambsdorff, ex-Ministro da Economia da Alemanha da década de 1980, o Estado pesado demais cria “uma classe parasita de burocratas socialistas e de políticos que obtém benefícios por meio de excesso de regulamentação e da corrupção ou por meio da administração de vastos impérios de indústrias e de bancos nacionalizados”.

Se os candidatos da esquerda radical estão realmente comprometidos com a redução da pobreza, devem seguir os países que conseguiram tratar esse mal. São em geral nações que percorreram um caminho parecido. Diminuíram os impostos, as barreiras comerciais e o controle do governo nos transportes e nas comunicações. E seguiram a regra ridiculamente básica sugerida pelo FMI: não gastar mais do que se arrecada.

Com poucas diferenças, foi isso que fez a Irlanda, a Coreia do Sul, Singapura e outros campeões de redução da miséria. Costa Rica e outros países da América Central, depois de estabelecer acordos de livre comércio com os Estados Unidos, estão transformando pobres em classe média. O exemplo melhor e mais próximo é o do Chile. Enquanto privatizava mais de 400 estatais, derrubava encargos trabalhistas (eles somam hoje só 4% do total do salário, dez vezes menos que no Brasil) e assinava acordos comerciais para se tornar uma dez economias mais abertas do mundo, o Chile via suas favelas virarem bairros. Em 20 anos, a taxa de pobreza caiu quase três vezes – é hoje de 13%, menos que a metade da média latino-americana.

A luta contra a pobreza encampada pelos partidos radicais esbarra num equívoco fundamental. Diante de uma multidão de miseráveis e de poucos enriquecidos, o rebelde da esquerda liga os dois pontos e explica a pobreza pela luta de classes: os pobres existiriam por causa dos ricos. Não é fácil entender que a pobreza existe por falta de ricos, de pessoas com dinheiro que disputem o serviço dos mais pobres. Mais difícil ainda é admitir que o melhor jeito de diminuir a pobreza é facilitando a vida dos geradores de riqueza. Quem é “contra burguês” também é contra os pobres – e contra o próprio país.

Será que os nanicos da esquerda não conhecem esses princípios básicos de economia? Provavelmente sabem, sim. Acontece que o objetivo deles não é acabar de verdade com a pobreza. E sim desfilar como radicais – o que acaba dando apoio a partidos mais moderados donos dos mesmos equívocos.

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A feijoada das Astúrias

Helga Maria Saboia Bezerra, uma leitora do Guia, manda uma curiosa contribuição: lá no principado espanhol das Astúrias, onde ela vive, também existe uma feijoada. Mais uma prova de que o nosso prato típico existia antes mesmo do Brasil.

“Chamou-me a atenção o que dizes sobre a origem europeia da feijoada. Vivo há quase seis anos em uma região da Espanha, Asturias, onde encontrei um prato típico à base de favas (um feijão grande e branco que aqui recebe o nome de ‘faba’ ou ‘alubia’), linguiça, chouriço e toucinho (morcilla, chorizo y tocino). É um prato pesado como a feijoada e que tem com ela um enorme parecido. O consumo das ‘fabas’ em Asturias remonta ao século XVI e este prato também é comparado ao ‘cassoulet’ francês. Entendo que quase tudo o que há na América deriva de uma ou outra maneira da Europa e sempre estive convencida de que a ‘fabada asturiana’ está na origem da feijoada brasileira. Creio que é interessante notar que Portugal e Espanha estiveram unidos durante mais de meio século (1580-1640) sob o reinado de Felipe II e eu penso que esta específica gastronomia asturiana pode então ter ‘emigrado’ para o Brasil.”

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Números saborosos

Passei o dia remexendo bancos de dados do IPEA e do IBGE atrás de estatísticas dos anos 60 e 70. Achei coisas ótimas. Todas retrucam aquela velha ideia de que o milagre econômico, durante a ditadura militar, foi inválido porque aumentou a desigualdade e “concentrou a riqueza na mão de poucos”, como se diz por aí.

A desigualdade social de fato aumentou – o que, em si, não é uma má notícia. Bangladesh e Casaquistão têm hoje índices de desigualdade menores que os Estados Unidos – mas todos nós sabemos onde preferíamos viver.

Além do mais, enquanto a desigualdade aumentava, outros índices se movimentavam. Veja só alguns deles:

– Entre 1970 e 1980, o Índice de Desenvolvimento Humano aumentou de 0,462 para 0,685. O maior crescimento da história do país.

– A expectativa aumentou 9 anos na mesma década. O maior crescimento da história do país.

– A mortalidade infantil, que aumentou entre 1955 e 1965, chegando a 131 mortes a cada 1000 nascimentos, caiu para 113 em 1975. Cinco anos depois, despencou para 70 mortes a cada mil nascimentos. A maior redução da história do país.

– A venda de geladeiras (item básico para uma boa alimentação) quadruplicou em doze anos. Equivale à onda de consumo do Plano Real.

– A venda de livros triplicou entre 1964 e 1974. Em dez anos, passamos a imprimir 100 milhões de livros a mais.

Números assim não justificam torturas e perseguições políticas dos militares. Nem as eternas lamúrias da desigualdade social.

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Por que o Nordeste é pobre?

Não é porque coronéis exploram os miseráveis, mas o contrário: os ricos nordestinos exploram pouco a mão-de-obra barata que têm ao redor.

Choveu demais, rios encheram, cidades foram embora com a correnteza e todos voltaram a falar da miséria do Nordeste. Na TV, o Arnaldo Jabor contou sobre uma viagem recente a Alagoas – “parecia um deserto vermelho de barro, pontilhado de miseráveis vilarejos” onde perambulavam “vassalos do feudalismo nordestino”, “laranjas das oligarquias”. Há um sentimento geral de que a pobreza nordestina é fruto da exploração de coronéis e latifundiários que não dividem suas terras, pagam salários miseráveis e mandam na política metendo o cacete nos fracos e oprimidos.

Eu gostaria de defender o contrário. O Nordeste é pobre não porque ricos exploram a miséria, e sim porque exploram pouco a mão-de-obra barata que têm ao seu redor.

Vejam o caso da explosão da fruticultura. Até os anos 90, só havia no sertão nordestino plantações centenárias de cana-de-açúcar e algodão, além de roças de subsistência daqueles que não tinham migrado para o Sudeste. De repente, multinacionais e agricultores resolveram aproveitar o preço barato das terras e da mão-de-obra, a alta insolação (que provoca mais safras por ano) e a baixa umidade (menos pragas). No fim dos anos 80, enquanto sertanejos abandonavam seus casebres e se mudavam para São Paulo, 150 famílias do interior de São Paulo e do norte do Paraná, descendentes de japoneses, foram montar roças irrigadas perto do Rio São Francisco. Um desses migrantes, Mamuro Yamamoto, virou de cara o maior produtor de uvas e amora do Nordeste. Vinícolas gaúchas logo estabeleceram filiais por lá. Hoje o sertão não tem só bons vinhos como produz, segundo o Embrapa, 95% das uvas de exportação do país. De todas as frutas frescas que o Brasil exporta, 80% vem de lá. Na Paraíba, em Sergipe e na Bahia, agroindústrias fizeram a região peitar São Paulo na produção de suco de laranja. A fruticultura é uma das áreas que mais geram empregos formais – só em 2005, 245 mil pessoas conseguiram emprego nas agroindústrias nordestinas.

O mesmo fenômeno começa a acontecer nas indústrias. O investimento de grandes empresas faz alguns estados terem um crescimento chinês. Os empregos industriais no Ceará aumentaram 8,9% em um ano. A renda de Pernambuco cresceu quase 10% de 2009 para cá. Com números assim, a participação do Nordeste no PIB do Brasil vai aos poucos aumentando – e a região caminha para deixar de ser um estorvo para o país.

Quando os “ricos e poderosos” do Nordeste viram políticos da indústria da seca, eleitos à base de caminhões pipa e do bolsa-família, deixam de ganhar dinheiro. E ainda mantém uma miséria que deveria migrar rumo aos empregos (como acontece nos EUA, país não vê problemas em ter cidades-fantasmas). Para a miséria do Nordeste se resolver, os coronéis, os latifundiários, os nordestinos de classe média precisam ser mais capitalistas, mais gananciosos. Só assim vão parar de ver seus pobres migrar para o Sudeste em busca de ricos que os explorem de verdade.

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Poxa, Doug

Abro parênteses nesse blog de história do Brasil para falar de uma história atual, a do Doug, grande camarada. Mistura de samurai com Valentino Rossi, o cara acorda toda a turma quando aparece. Ao me encontrar, solta logo um “Polaaaaca, venha cá me dar um abraço! Como vai aquele seu livrinho?”. Nunca deparei com o Doug resmungando ou desempolgado. Nunca o encontrei sem o sorriso aí de cima ou sem convites. “Paintball no domingo? Jogo do São Paulo? Jantar japonês em casa? Eu faço a comida e nós rachamos as compras!” Não é convite à toa: ele já fez um sashimi sensacional aqui em casa – cozinhou sozinho para a turma toda. Foi ver os jogos do São Paulo até no Japão. E tem uma réplica de Ak-47 para as guerras de paintball – eu é que sempre recuso o convite.

Tampouco encontrei o Doug sem milhões de planos. Meses atrás, ele e dois camaradas, que também eram designers da Abril, montaram uma empresa de aplicativos para iPhone e internet. Acabaram de completar um trabalho enorme, para o Museu Tam, em Campinas. O Doug está empolgadíssimo. Quer dizer, estava. Na volta de Campinas, no sábado, os dois sócios dele viram um acidente na estrada. No chão, uma jaqueta – a jaqueta do Doug, que tinha saído de Campinas um pouco antes, de moto. Os dois camaradas estacionaram e logo deram de cara com a moto. Logo depois, o corpo. O enterro foi ontem: uma das coisas mais tristes que eu já vi.  O mundo fica tão desinteressante sem você, Doug. Poxa.

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A nova história do Brasil

A capa da Super deste mês é parcialmente baseada no Guia. Damos 19 grandes mitos do país (aqueles todos que estão no livro) e falamos de um assunto que o livro só tangencia: a Nova História do Brasil. Abaixo vai o comecinho.

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