Contato

Escreva direto para leandron@uol.com.br

Ou procure a assessoria de imprensa:

BELÉM COM

Andrea Jocys e Catia Rejane

São Paulo +55 (11) 2769 3806 / (11) 8146-2630

Rio de Janeiro +55 (21) 3826 2490

www.belemcom.com.br

Anúncios

6 respostas para Contato

  1. João Gabriel Vieira Bordin disse:

    Após por termo à leitura do seu livro, não resisti em escrever-lhe algumas linhas com relação às teses nele expostas. Confesso que a tom provocativo – que você bem coloca como objetivo do livro – produziu em mim tal necessidade. Seja como for, o próprio conteúdo da argumentação em si mesmo é já uma grande provocação; coloca o leitor numa posição de alteridade com relação aos seus próprios pressupostos e – por que não? – pré-conceitos, fazendo-o afastar-se das suas crenças mais profundas e, com isto, repensá-las à luz da análise de um quadro histórico, social e cultural, bastante mais complexo do que aqueles fatos reificados e simplificados do lugar-comum das crenças preconceituosas, enraizadas por costume e tradição. Nesse tocante, portanto, faço-lhe um elogio. O mérito da sua obra resume-se, essencialmente, em seu caráter crítico, cujo objetivo consiste em desmistificar os fatos históricos como vêm sendo interpretados pela leitura do senso-comum, esta perspectiva que repousa sobre a tradição. Compartilho deste objetivo: a história e seus fatos devem ser colocados em perspectiva ampla, sem que com isso, contudo, se perca a visão dos pormenores. Melhor ainda: o processo histórico deve ser compreendido respeitando-se sua complexidade intrínseca, suas contradições e antagonismos. Ao mesmo tempo, deve-se preservar o discurso científico das concepções banais e reducionistas, cujos efeitos podemos ver numa leitura da histórica que a compreende em termos de causa-efeito rígidas e unilaterais, ou de maniqueísmos que opõem uma luta do bem contra o mau, etc. Em suma, todo “bom-mocismo”, todo enaltecimento aos heróis, deve ser expurgado de uma análise científica e conseqüente da história. Não é necessário recordarmos que essas criações míticas servem a propósitos e interesses concretos, seja de construir uma identidade nacional, seja de preservar uma tradição ou para legitimar certas situações sociais contemporâneas. Tais criações são sempre anacronismos, isto é, são frutos de um olhar ao passado através dos olhos do presente, a fim de se encontrar no passado as raízes daquele que se quer justificar no presente.
    E é só. Seu livro possui esse mérito tão-somente, mais nada. O resto é um ingente desserviço (não para a classe cujos valores você defende) para o intelecto e para o povo. Seu livro não passa de uma coletânea de lugares-comuns e ideologias apologéticas do capitalismo e da moral burguesa, de seus valores e das suas supostas verdades. Daí porque eu inevitavelmente não entendi seus objetivos. Você diz que intenta desconstruir o mito histórico corrente, fundado em certos interesses e valores, mas, precisamente ao contrário, você não faz mais do que reiterá-los. O capítulo sobre os comunistas deixa isso escandalosamente patente (é lá que você realmente mostra as garras, como discutirei logo abaixo). Ao invés de desconstruir crenças infundadas você as aprofunda devido, em primeiro lugar, à suas convicções ideológicas, e em segundo, porque você acredita que a história oficial foi escrita, quando não por marxistas, por ideológicos das lutas por igualdade racial (como nos casos dos índios e dos negros), social etc. Assim, você não elimina da história os heróis e o anacronismo de uma análise que procura atribuir valores contemporâneos aos personagens e fatos do passado, antes você erige novos heróis – e, consequentemente, novos vilões. Descobrimos, destarte, que os ingleses foram os grandes mocinhos do século XIX, interessados em transformar o Brasil (e o resto do mundo) em novas nações soberanas e independentes do seu capital e da sua política, e que, do mesmo modo que os ingleses no século XIX, os norte-americanos foram os mocinhos do século XX, lutando pela democracia e pela livre-iniciativa contra a influência sediciosa dos comunistas ditadores. Por outro lado, os grandes vilões teriam sido, junto com os comunistas na política, os… professores de história das décadas de 1960 e 70. Pelo que se pode depreender daí, você não teve intenção alguma de desmistificar e rever a história oficial, mas simplesmente de reescrevê-la a partir da sua própria perspectiva ideológica. E o mais intrigante desta sua empresa, é que você parte do pressuposto de que a história oficial é ideologia marxista e não, pelo contrário, ideologia burguesa. Se a ideologia burguesa hoje pretende encobrir suas mazelas, seus atos violentos, pretende conferir dignidade às etnias excluídas e aos povos explorados por ela, não é devido a um real arrependimento, ou por uma visão romântica, mas porque há grande interesse em se manter como dona da moral e da verdade, encobrindo ou legitimando sua história passada através da voz das suas vítimas.
    Mas é no capítulo dedicado aos comunistas que você se trai, deixando evidente as motivações ideológicas que o levaram a escrever seu livro. Você não só reproduz o discurso apologético burguês de que o comunismo é necessariamente mau (mau com “u” mesmo), vide tantas revoluções defraudadas ou degringoladas ao longo século XX, e o capitalismo é necessariamente bom, como também trata a idéia de revolução social (ou seja, de transformação de uma ordem social dada em outra) como uma utopia nociva para o desenvolvimento “pacífico” da sociedade (capitalista). O comunismo é, assim, anacronicamente comparado ao messianismo religioso – aliás, argumento semeado invariavelmente pela ideologia corrente, que está na ponta da língua de qualquer defensor da sociedade burguesa. É evidente, para qualquer estudioso mais capacitado de história e de ciências sociais, que esses pontos de vista não estão fundados de modo algum em argumentos científicos, mas na apologia vulgar. Um estudioso sério, ao contrário de um retórico agitador e panegerista da ideologia burguesa (como é o seu caso), dificilmente seria levado a discorrer sobre aquilo que não é de seu conhecimento. Nesse sentido, você não deveria ter se atrevido a falar do marxismo, já que é notório que você não sabe nada da matéria em questão. É simplesmente absurdo e inconsequente você traçar uma linha direta e reta entre a teoria materialista da história desenvolvida por Marx aos comunistas inconseqüentes brasileiros. Percebe-se rapidamente que você desconhece completamente a história do marxismo, assim como das suas conseqüências políticas e sociais (nem sempre coerentes), limitando-se a propalar os chavões recozidos da apologética burguesa. Quando você fala de Cuba, por exemplo, passa por alto (consciente ou inconscientemente?) o fato de que o país, antes da revolução, havia sido praticamente um entreposto colonial norte-americano desde sua libertação da metrópole espanhola, mantido sobre o tacão da política imperialista que assumia a America Latina como um seu quintal, e que Fulgência Batista era um ditador corrupto que transformou a ilha num bordel para magnatas estadunidenses. E se você continuasse a argumentar, não seria temeridade aventar que, para você, a miséria atual de Cuba é culpa do socialismo e da não-liberdade à “criatividade” da iniciativa privada, e não do embargo criminoso mantido à ilha, cujo isolamento econômico condenou o país a permanecer atrasado como havia sido desde o período colonial.
    Impressionante mesmo é a maneira absurda pela qual você justifica a tortura dos militares brasileiros: eles torturaram porque eram inexperientes na luta contra-guerrilheira. Enquanto os comunistas brasileiros eram ineptos, boçais estúpidos mesmo, protagonistas de uma comédia (como o trapalhão Prestes), os militares eram apenas inexperientes, de sorte que não lhes restou outra opção do que caçar os comunistas mediante delações e tortura (ou seja, tiverem que se rebaixar ao nível imoral dos “terroristas”), posto que eram incapazes de vencer no corpo-a-corpo. O recrudescimento do regime, outrossim, foi responsabilidade dos guerrilheiros, cujas ações comprometiam a “ordem” do país, de modo que os militares no poder não tiverem outra opção do que baixar o AI-5.
    Enfim, é desnecessário continuar a argumentar. À exceção de algumas passagens interessantes, nas quais você apresenta pesquisas acadêmicas inovadoras (o que, portanto, não é mérito seu), seu livro não é passa de um festival de teses descabidas, asserções infundadas, e defesas apaixonadas da ideologia burguesa, do livre mercado, do imperialismo dos países desenvolvidos, da inferioridade dos povos ameríndios, da maldade e da incivilidade congênita dos povos explorados. É evidente que não existem vítimas (num sentido simplista) na história, não existem nem heróis, nem vilões e nem vítimas particulares. Ninguém pode negar o fato de que a guerra era parte da estrutura social base da sociedade indígena, assim como o era a escravização para os negros africanos. Mas fechar os olhos para o fato de que a influência externa dos europeus, que entravam à época na fase histórica do capitalismo, desestruturou essas culturas milenares. Ignorar que onde penetrava o dinheiro diluíam-se todos os costumes e os valores culturais dos povos pré-capitalistas, destruindo todas as suas relações sociais, é compactuar com uma visão pouco justa da história. Não haveria de ser de outra maneira, essas culturas necessariamente seriam apropriadas e subsumiriam sob a nova organização social destina a conquistar o mundo. Entretanto, não avaliar as conseqüências concretas da modernidade para esses povos, é pretexto para caracterizar todos os homens como maus, sejam eles oprimidos ou opressores, e que estes mal podem esperar para assumir o lugar daqueles. Assim, sempre haverá opressão e sofrimento na história, e é razoável que sejamos nós os que oprimem e não os oprimidos.
    Encerro por aqui. Creio que não poderia ser diferente sua visão pouco correta e altamente deturpada da história, pretendendo-se apoiar em estudos inovadores, mas que na verdade põe a nu a verdadeira ideologia burguesa: um jornalista que trabalhou para a Veja não pode pensar diferente do seu editorial, decerto. Afinal, existe um veículo de comunicação mais ideológico e raivoso que a Veja? Qualquer um que tenha trabalhado nela não pode ser um historiador ou jornalista sério, mas deve necessariamente resumir-se a um ideólogo que exprima o pensamento da direita conservadora e estúpida desse país.

  2. DPNN disse:

    Após ver uma entrevista sua no youtube e ler os comentários revoltados dos esquerdistas, comprei seu livro e li num fôlego só! Que bom ver que está vendando bem: sinal de que nem todos se perderam após anos e anos de lavagem cerebral nos bancos das escolas/universidades.

    E que venha o segundo volume!

  3. Brazi's Black disse:

    Apartir tb desse livro estou aprendendo a mostrar ao negros Brasileiro que o preconceito existe dentro dos seus proprios”mitos” raciais…

    Troquei a minha pagina de Brazil’s Black por “Etnia Brasileira”

    Estou em parceria com o canal internacional chamado”Babel” e gostaria muito de conversar com vc e sua assessoria pessoalmente!

    Até preve!

    Livia Zaruty

  4. Luciane Corá disse:

    Caros comentaristas…
    Sou professora de História e não faço lavagem cerebral nos meus alunos…pois ser professor também é ser aluno, leitor, pesquisador e planejador. Não generalizem o discurso do Mau Professor de História, por favor…existem aqueles que se dedicam e não se intitulam de MARXISTAS…

  5. Marcos disse:

    Cara, vc não atualiza esse blog desde fevereiro! Deixa de ser bunda-mole, teu blog faz a a maior falta! Quero ver o novo livro, quando que sai?

  6. Li com muito entusiasmo seu Guia e fiquei bastante interessado na abordagem revolucionária da história que você fez. Quando no ano passado li os 3 volumes de Ascensão e Queda de G. Vargas, de Affonso Henriques, descobri finalmente que um dos métodos para melhor se entender o Brasil estava timidamente ali esboçado e consistia em uma máxima que eu havia criado nos anos 80: “o estado degrada para depois salvar”. Era esse o sentimento que eu tinha naquela época de Lima Barreto e cia., e que Affonso Henriques demonstra com maestria como um governo pode reduzir a economia a pó e depois, via criação de milhares de novos empregos públicos, aliança com sindicatos e farta distribuição de publicidade, tornar-se eleitoralmente imbatível. Fazendo uma pesquisa nos Arquivos do Estado (de SP) sobre o ano de 1945, descobri estampado no Diário da Noite, os recorrentes editoriais sobre a imprensa golpista, também chamada de PIG, a propósito da deposição de Vargas e da convocação de eleições no retorno da FEB ao Brasil. Somente aí é que percebi que o epíteto de Imprensa Golpista tem mais de meio século, e corresponde exatamente a imprensa que não foi posta de joelhos pelo poder corruptor do governo.

    Mas o que mais me provocou foi o fato de descobrir enfim um método de análise histórica que considero essencial para a narrativa dos governos brasileiros. Trata-se de satisfazer uma preocupação econômica que sempre existiu, e que é a explicação para o nosso subdesenvolvimento. Por que o Brasil tem um PIB de 10 mil dólares percapita, quando deveria estar no mínimo em 35 mil? Para responder a esta questão era preciso ver na História um sistema de destruição de riqueza, e isso só foi possível associando a crítica social dos analistas com um entendimento dos males causados pelo intervencionismo na economia da escola liberal norte-americana. E mais, relendo Kurt Rodolf Mirow depois de mais de 30 anos (A Ditadura dos Cartéis), percebi como funciona a mente nacionalista, e como ela foi deletéria para a formação da intelectualidade brasileira. O nacionalismo brasileiro é uma espécie muito curiosa, mas não pretendo discutir aqui neste espaço. Em suma, ele é um ator coadjuvante da burrice nacional, não localizada mais no Jeca, no Macunaíma ou no mazzaropismo político de um chefe-de-estado, mas na cátedra de humanas, no demi-savant das universidades brasileiras.

    Portanto, siga em frente, você está com a faca e o queijo na mão, só não esqueça da perspectiva histórica da destruição de riqueza que — por exemplo — narro no meu site nos artigos sobre a Petrobras. Ali está a burrice de mãos dadas com a ignorância: um produto fartamente brasileiro.
    http://www.tecselecta.com/conectandoleitores/artigos/artigos_lista.htm
    Sds

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s