O PSOL é contra os pobres?

Dia desses, almoçando com uns amigos que pregam a liberdade econômica no Brasil, percebi que o pior cenário para os pobres brasileiros seria a vitória de algum partido nanico da esquerda. Quem é “contra burguês” também é contra os pobres.  Esse raciocínio virou um artigo para o Instituto Millenium. Abaixo destaco os trechos mais legais.

Receita de pobreza

É difícil imaginar uma receita de criação de pobreza mais eficiente que a proposta pelos partidos nanicos da esquerda.

De todas as contradições desta eleição, a mais interessante é a que envolve os partidos radicais da esquerda (PSOL, PSTU, PCO) e suas propostas para acabar com a miséria e a desigualdade. Nos debates, no horário eleitoral, nas entrevistas, os candidatos desses partidos falam sobre os baixos salários, mostram cenas de crianças miseráveis, desfilam como os grandes defensores da igualdade, os maiores inimigos dos ricos. Mas prometem justamente as medidas que, em todos os países em que foram implantadas, resultaram em mais miséria, mais pobreza, mais burocratas com um poder desigual diante dos outros cidadãos.

O PSOL, de Plínio de Arruda Sampaio, sugere reestatizar empresas privatizadas e “refundar a estratégia do socialismo”. O PCO diz que vai suspender o pagamento da dívida pública. E os candidatos do PSTU afirmam que o único meio de acabar com a fome é romper com o imperialismo mundial e o FMI. É difícil imaginar uma receita de criação de pobreza mais eficiente que a proposta por esses partidos.

A economia fechada e o aumento do Estado fizeram a Argentina, que já foi o único país do Primeiro Mundo na América do Sul, patinar por todo o século 20. Depois do famoso calote de 2002, mais de 2 milhões de argentinos se tornaram pobres num único mês. Na Venezuela, o “socialismo do século 21” aumentou o número de bebês subnutridos (de 8,4% para 9,1% entre 1999 e 2006), as casas sem acesso a água, a pobreza e o índice de Gini, que mede a desigualdade econômica. A economia deve diminuir entre 3% e 6% em 2010 – enquanto os vizinhos comemoram os tempos de prosperidade.

Mais que multiplicar a pobreza, esse modelo cria uma desigualdade institucional que lembra os tempos de nobreza e feudalismo. Como descreveu Otto Graf Lambsdorff, ex-Ministro da Economia da Alemanha da década de 1980, o Estado pesado demais cria “uma classe parasita de burocratas socialistas e de políticos que obtém benefícios por meio de excesso de regulamentação e da corrupção ou por meio da administração de vastos impérios de indústrias e de bancos nacionalizados”.

Se os candidatos da esquerda radical estão realmente comprometidos com a redução da pobreza, devem seguir os países que conseguiram tratar esse mal. São em geral nações que percorreram um caminho parecido. Diminuíram os impostos, as barreiras comerciais e o controle do governo nos transportes e nas comunicações. E seguiram a regra ridiculamente básica sugerida pelo FMI: não gastar mais do que se arrecada.

Com poucas diferenças, foi isso que fez a Irlanda, a Coreia do Sul, Singapura e outros campeões de redução da miséria. Costa Rica e outros países da América Central, depois de estabelecer acordos de livre comércio com os Estados Unidos, estão transformando pobres em classe média. O exemplo melhor e mais próximo é o do Chile. Enquanto privatizava mais de 400 estatais, derrubava encargos trabalhistas (eles somam hoje só 4% do total do salário, dez vezes menos que no Brasil) e assinava acordos comerciais para se tornar uma dez economias mais abertas do mundo, o Chile via suas favelas virarem bairros. Em 20 anos, a taxa de pobreza caiu quase três vezes – é hoje de 13%, menos que a metade da média latino-americana.

A luta contra a pobreza encampada pelos partidos radicais esbarra num equívoco fundamental. Diante de uma multidão de miseráveis e de poucos enriquecidos, o rebelde da esquerda liga os dois pontos e explica a pobreza pela luta de classes: os pobres existiriam por causa dos ricos. Não é fácil entender que a pobreza existe por falta de ricos, de pessoas com dinheiro que disputem o serviço dos mais pobres. Mais difícil ainda é admitir que o melhor jeito de diminuir a pobreza é facilitando a vida dos geradores de riqueza. Quem é “contra burguês” também é contra os pobres – e contra o próprio país.

Será que os nanicos da esquerda não conhecem esses princípios básicos de economia? Provavelmente sabem, sim. Acontece que o objetivo deles não é acabar de verdade com a pobreza. E sim desfilar como radicais – o que acaba dando apoio a partidos mais moderados donos dos mesmos equívocos.

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7 respostas para O PSOL é contra os pobres?

  1. Pingback: “Quem é “contra burguês” também é contra os pobres – e contra o próprio país” | OrdemLivre.org/blog

  2. William Gallagher disse:

    Excellent! As usual, you cut through the bullshit and foggy thinking that animates a large part of the Brazilian left.

  3. Eduardo Gomes disse:

    Ufa! Eu estava com a impressão que o pensamemto liberal no Brasil era inócuo. Fico muito feliz de acompanhar essa nova geração tão engajada e talentosa.

  4. Gunnar disse:

    Cara, você formulou a frase que, ao mesmo tempo, sintetiza a grande virtude da economia de mercado e derruba a falácia fundamental da esquerda: “a pobreza existe por falta de ricos”. Estamos contigo nessa luta, retroceder jamais. Abraços.

  5. Daniel Tanure disse:

    Por isso não existe partido de direita no Brasil.

  6. vera oliveria disse:

    nunca li um texto tão idiota ‘….o melhor jeito de diminuir a pobreza é facilitar a vida dos “geradores” de riqueza….’ mais ainda do que é facilitada?? Os “ricos” que eu chamo de exploradores não são os geradores de riqueza,são exploradores de pessoas que se deixam escravizar,os “ricos” devem sua riqueza aos pobres.Os pobres que eu chamo de empobrecidos não deveriam sequer ,mais um dia dar seu suor pra enriquecer esses exploradores,mesquinhos,pobres de espirito,vermes.Vcs defensores desse sistema injusto não aguentam meia hora de debate ao vivo com esquerdistas preparados,tanto é que manipulam debates,compram a imprensa,as instituições de ensino,apresentam falsos esquerdistas ,se vcs fossem verdadeiramente bons,não pecisariam disso,falam da pobreza de Cuba , mas não criticam o bloqueio estadunidense,quem tiver um mínimo que seja de discernimento vê que os EUA tem medo do desenvolvimento daquele país,por isso impede seu desenvolvimento,se impede seu desenvolvimento é claro que são os responsáveis pela miseria de Cuba e não o regime cubano ,os EUA precisam que Cuba siga assim pra os ignorantes e preguiçosos achem que o comunismo em Cuba é o responsável pela situação cubana,e não o capitalismo que NÃO aceita outros sistemas contrários e os persegue,impondo boicotes,mesmo pregando falsamente a democracia e a liberdade.Pois o capitalismo precisa sugar tudo e todos,não são explícitos como eram as monarquias,mas não estão longe do objetivo que querem é um feudo global,em que uma minoria enriquece explorando a maioria.

  7. thiago santos disse:

    qual a diferença entre o remédio e o veneno? A questão está na dose ou no engano.. O cara solta um marxismo alá maquiavel e fica posando de Rei.. esse texto é para inglês ver, ou melhor, americano ver..

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