A feijoada das Astúrias

Helga Maria Saboia Bezerra, uma leitora do Guia, manda uma curiosa contribuição: lá no principado espanhol das Astúrias, onde ela vive, também existe uma feijoada. Mais uma prova de que o nosso prato típico existia antes mesmo do Brasil.

“Chamou-me a atenção o que dizes sobre a origem europeia da feijoada. Vivo há quase seis anos em uma região da Espanha, Asturias, onde encontrei um prato típico à base de favas (um feijão grande e branco que aqui recebe o nome de ‘faba’ ou ‘alubia’), linguiça, chouriço e toucinho (morcilla, chorizo y tocino). É um prato pesado como a feijoada e que tem com ela um enorme parecido. O consumo das ‘fabas’ em Asturias remonta ao século XVI e este prato também é comparado ao ‘cassoulet’ francês. Entendo que quase tudo o que há na América deriva de uma ou outra maneira da Europa e sempre estive convencida de que a ‘fabada asturiana’ está na origem da feijoada brasileira. Creio que é interessante notar que Portugal e Espanha estiveram unidos durante mais de meio século (1580-1640) sob o reinado de Felipe II e eu penso que esta específica gastronomia asturiana pode então ter ‘emigrado’ para o Brasil.”

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7 respostas para A feijoada das Astúrias

  1. Olá, Leandro! Acabei de devorar seu livro em três dias (só porque não tive tempo de terminar em um) e tenho que dizer que gostei muitíssimo! Ao comentar sobre o livro para algumas pessoas, achei interessante notar o olhar de incredulidade, especialmente de meus colegas de trabalho (professores, imagine) e alunos.
    Estou relendo para ver se assimilo melhor a enxurrada de novas informações ali inseridas. Valeu, e continue assim, corajoso e completamente louco!

  2. Wesley Quirino disse:

    Leandro,

    gostaria de ver um post seu aqui sobre a FEB (Força Expedicionária Brasileira). Parece-me que esse trecho da história brasileira também tem passado pela interpretação bipolar do nosso nacionalismo. Já vi autores defendendo a FEB como fudamental para campanha na Itália dos Aliados, e outros autores que dizem que FEB teve papel meramente coadjuvante, sem nenhuma relevância para a estratégia geral da expulsão alemã.

  3. Wander Amorim disse:

    Olá, Leandro
    sua iniciativa é, pelo menos a mim, o que faltava a este país há décadas… continue pesquisando, e tenha a certeza que ainda ha muito a se desmitificar… ainda há histórias falsas gigantescas que tomam o ideário nacional. Exemplo: “o verde e o amarelo da bandeira nacional vêm do ouro e das matas”.

    Mentira,
    o verde vem da cor da casa real de Bragança; o amarelo, da casa real de Habsburgo; casas reais das dinastias que juntos dariam origem à monarquia brasileira. Etc. etc. etc.

    Um grande abraço, e continue firme.

  4. Titus Petronius disse:

    Ainda nos resta a jabuticaba…
    Ou não?
    O Brasil também inventou a ONGg
    Que vem a ser a Organização Não-Governamental Governamental, ou seja: a ONG que não sobrevive sem dinheiro público.

  5. Rafael disse:

    Que merda essa comida hein… enfim, o seu guia é incrível, faz anos que venho me irritando com os meus professores de história e o seu livro me trouxe um pouco de alívio, pois percebi que não sou só eu que acho que as aulas de história da escola são uma tremenda baboseira.

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