Poxa, Doug

Abro parênteses nesse blog de história do Brasil para falar de uma história atual, a do Doug, grande camarada. Mistura de samurai com Valentino Rossi, o cara acorda toda a turma quando aparece. Ao me encontrar, solta logo um “Polaaaaca, venha cá me dar um abraço! Como vai aquele seu livrinho?”. Nunca deparei com o Doug resmungando ou desempolgado. Nunca o encontrei sem o sorriso aí de cima ou sem convites. “Paintball no domingo? Jogo do São Paulo? Jantar japonês em casa? Eu faço a comida e nós rachamos as compras!” Não é convite à toa: ele já fez um sashimi sensacional aqui em casa – cozinhou sozinho para a turma toda. Foi ver os jogos do São Paulo até no Japão. E tem uma réplica de Ak-47 para as guerras de paintball – eu é que sempre recuso o convite.

Tampouco encontrei o Doug sem milhões de planos. Meses atrás, ele e dois camaradas, que também eram designers da Abril, montaram uma empresa de aplicativos para iPhone e internet. Acabaram de completar um trabalho enorme, para o Museu Tam, em Campinas. O Doug está empolgadíssimo. Quer dizer, estava. Na volta de Campinas, no sábado, os dois sócios dele viram um acidente na estrada. No chão, uma jaqueta – a jaqueta do Doug, que tinha saído de Campinas um pouco antes, de moto. Os dois camaradas estacionaram e logo deram de cara com a moto. Logo depois, o corpo. O enterro foi ontem: uma das coisas mais tristes que eu já vi.  O mundo fica tão desinteressante sem você, Doug. Poxa.

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5 respostas para Poxa, Doug

  1. Sandro P disse:

    Que triste!
    Meus pêsames.

  2. josielhist disse:

    sinto muito por seu amigo.

  3. Julio Daniel disse:

    Prezado,

    por um acaso, vi seu livro em uma visita que fiz a uma livraria. Embora já conhecesse bastante das “jabuticas” que só prosperam aqui no Brasil, estou impressionadíssimo com seu livro.

    Acabei de fazer uma busca, pois pretendo dá-lo de presente para todos meus sobrinhos, e então encontrei sua página.

    Mas vejo que não cheguei em boa hora, mas se minha passagem por aqui e minha mensagem sincera de pésames servir de alento, então ao menos isso desejo.

    E, embora você me pareça um agnóstico, acredito que não se importará de eu dizer…
    Que Deus o abençoe, Doug

  4. Marta disse:

    Singela e bonita homenagem a um amigo que se foi. Fiquei com vontade de ter conhecido o Doug. Poxa, não deu tempo. Mas fico feliz de ter conhecido este blog. Vida longa a ele e ao seu autor, Leandro.

    Meus sentimentos.

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