Três filmes para o século 16

Passei as últimas semanas pesquisando sobre o século 16, para a versão ampliada do Guia. Não me sai da cabeça a ideia de que o Brasil daquela época não tem nada do atual – houve uma ruptura; é impossível explicar o Brasil de hoje por seus dois primeiros séculos. Santa Catarina, por exemplo, era estratégica aos europeus por ser uma porta de entrada para o Paraguai e os Andes. Até mesmo São Paulo dependia mais da política de Assunção que do Rio ou de Salvador.

Descobri também umas histórias absurdamente cinematográficas:

-Potosi, na Bolívia, era uma montanha deserta até se descobrir prata por ali, em 1545. Vinte e oito anos depois, com 120 mil habitantes, já era uma cidade maior que Lisboa (100 mil pessoas), Roma (75 mil) e Sevilha, a maior cidade da Espanha naquela época (40 mil habitantes). Tinha 13 escolas de balé e vendedores até da Índia. O frio, a falta de higiene e a poluição de mercúrio matavam fácil e impediam nascimentos: a mortalidade infantil era de 100%. Só em 1584 (40 anos depois da fundação da cidade) um bebê conseguiu se manter vivo em Potosi.

– Em 1547, o espanhol Juan de Sanabria comprou do rei Carlos V o direito de governar o Paraguai. Quando cruzava o oceano liderando centenas de colonizadores, Sanabria morreu. O comando passou para sua mulher, Mencia de Sanabria, uma das 50 mulheres do grupo – as primeiras 50 europeias que vieram à América. Eles e elas desembarcaram na atual Florianópolis e, de lá, cruzaram Santa Catarina a pé. Chegaram a Assunção três anos depois do embarque na Espanha.

– Em 1504, um cacique carijó de São Francisco do Sul deixou um de seus filhos, Essomericq, viajar à Europa com o francês Binot Paulmier, capitão de Gonneville. A missão do garoto de 15 anos era aprender a fazer canhões. Mesmo sob ataques de piratas e naufrágios, o índio sobreviveu e chegou à França. Ganhou o nome de Paulmier Gonneville, casou com uma sobrinha do capitão e herdou os bens dele. Morreu na Normandia aos 95 anos.

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7 respostas para Três filmes para o século 16

  1. Osi disse:

    Narloch, eu adorei essas histórias! Depois quero saber mais detalhes, sério.

    Abraços.
    Osi

  2. Fernanda disse:

    Porque não consigo postar minha opinião sobre o livro? Há dias tenho tentado.

  3. Só estou aqui para agradecer o excelente livro. Espero que ancioso pela versão ampliada e, caso me permita, sugerir que adicione dados sobre o relação entre a – metrópole – portuguesa e sua – colônia. Seria interessante termos mais números sobre isso, um em especial, a relação PIB/Brasil e PIB/EUA na época da independência e agora.

  4. Leandro, como vai? Antes de tudo, muito obrigado por escrever esse livro maravilhoso, compartilho absolutamente de todos os seus posicionamentos. Sou acreano e moro em Rio Branco. Adorei o capítulo sobre o Acre, por incrível que pareça. Tomei até a liberdade de reproduzi-lo integralmente no meu blog, ocasião em que também faço um comentário sobre o seu ótimo livro.

    Tava aqui na internet procurando seu contato, pois gostaria de dar uma dica pra versão ampliada, a qual espero ansiosamente.

    Já que você falou sobre o Acre, que tal um novo capítulo desmistificando a história, forjada por esquerdistas ambientalistas, do líder seringueiro Chico Mendes? E sobre os ambientalistas extremistas e as farsas climáticas alimentadas pelas esquerdas viúvas de “ideologia”?

    Bem, ficam as dicas :]
    Se interessar: http://cleomiltonfilho.blogspot.com/2010/04/quanto-custa-o-acre.html

    Novamente, parabéns.

    Abraço.

  5. Demais! Parabéns por trazer luz sobre a tão pouco conhecida e (realmente) estudada história do Brasil. Aguardamos a versão ampliada do livro!!!

  6. Tom T disse:

    Interessantíssimos tópicos

    Sobre o filho do cacique, que tornou-se herdeiro e barão francês, dê uma olhada no verbete da Wikipedia:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Binot_Paulmier_de_Goneville

    o nome do cacique era ‘Arô Içá’, afrancesado para ‘Arosca’.

    ‘Essomericq’ é tb a grafia afrancesada do que costumamos grafar ‘Içá-Mirim’ (que quer dizer ‘Içá-pequeno’, ‘filho de Içá’, ou ‘Içá Júnior’)

  7. Os Bananas disse:

    Talvez a grande “ruptura” na História do Brasil no período colonial para os dias de hoje, tenha sido o 1º e 2º Império, período repleto de mudanças políticas, sociais e econômicas no país.

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