Valeu, Pondé!

Na Folha de 4 de janeiro:

LUIZ FELIPE PONDÉ

Viva o Brasil capitalista!

SERIAM OS portugueses “nossos libertadores”? Essa ideia é fruto da leitura de um ótimo livro (e fácil de ler) que chegou às minhas mãos há algumas semanas: “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, de Leandro Narloch (Ed. Leya).
Apesar de não ser um livro acadêmico (e nem pretender sê-lo), mas jornalístico, o “Guia” é bem documentado com notas bibliográficas fartas. Já o li há algumas semanas, mas esperei para ver sua repercussão. Quase nula. Claro, tratando-se de uma singular heresia perdida em meio ao mar de unanimidades, só podia sofrer com o silêncio. Ao contrário do que gosta de dizer de si mesmo, o mundo da cultura é preconceituoso, preguiçoso na pesquisa, repetitivo nas ideias, dado a clichês, adora modas, detesta diferenças que fazem diferença, enfim, é quase sempre sectário.
Abaixo, algumas pérolas para sua reflexão.
(…)
A melhor coisa que aconteceu com os índios brasileiros foi encontrar com os portugueses. A população que cá estava vivia num isolamento monstruoso do resto da humanidade e por isso estava quase na idade da pedra. Além de não conhecer a roda, sua agricultura não ia além de mandioca e similares. Matavam-se entre si, como, aliás, de costume entre nós seres humanos, e tinham um “sistema” de caça que implicava queimar continuamente a floresta. A fim de obrigar suas vitimas seguirem para o local onde as matariam, nossos ancestrais nativos tocavam fogo na floresta de modo impiedoso, sem nenhuma sensibilidade para com o ambiente.
Muitos deles aderiam à vida “portuguesa” abertamente, assumindo seus nomes e hábitos. E por quê? Porque, sendo humanos como nós, fugiam da dor e buscavam uma vida melhor, simples assim.
(…)
E os escravos? Além de que provavelmente Zumbi repetia os hábitos ancestrais africanos (violência, hierarquia cruel, estupros, roubos), sabe-se que a escravidão tinha a concordância de muitos povos na África. E por quê? Porque era um hábito comum, muito antes dos malvados “brancos” lá chegarem. Muitos escravos libertos aqui, além de comprar escravos quando livres, iam trabalhar no comércio de escravos a fim de ficarem ricos. Muitos negros na África lutaram contra o fim do comércio de escravos proposto pela Inglaterra.
Nada disso é racista, ou nega o sofrimento das vítimas, ou a violência ocorrida, apenas amplia a reflexão histórica.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s