Valeu, Nelson Motta!

Essa semana no Globo e no Estadão:

O panteão das falcatruas

NELSON MOTTA

Muito do que nos foi, e continua sendo, ensinado nas escolas como História é apenas a perpetuação, pela repetição, de mitos, lendas ou simples mentiras, por ignorância ou ideologia de professores. Ou as duas.
O caso mais emblemático é a invenção do avião, que o orgulho nacionalista reivindica para Santos Dumont. Embora inúmeros jornais e documentos históricos provem que já em 1903 os irmãos Wright fizeram vôos de até 260 metros com seu Flyer I. Em 1905, os Wright voaram durante 39 minutos, com o Flyer III, percorrendo 38 quilômetros, diante da imprensa e de convidados internacionais. E obtiveram a patente do invento, iniciando a sua comercialização. Só um ano depois, em 1906, Santos Dumont conseguiu voar 220 metros com o 14-Bis. É chato, mas é verdade.
É um dos melhores capítulos do contundente “Guia politicamente incorreto da História do Brasil”, do jornalista Leandro Narloch, que contrapõe sólida bibliografia e farta documentação a algumas das maiores falcatruas que estão se perpetuando na nossa história oficial, pela ação do politicamente correto e da militância ideológica.
Muita gente bem intencionada, e mal informada, vai se decepcionar ao saber que os maiores exterminadores de índios no Brasil foram … os próprios índios, em suas infindáveis guerras entre tribos e como força auxiliar dos portugueses e dos bandeirantes em expedições para aprisionar índios. Os bons selvagens não eram tão bons assim. Sim, alguns dos maiores mercadores de escravos eram negros. Os que mais lutaram contra a abolição da escravidão, liderada pela Inglaterra, foram os reinos africanos, que lucravam com ela.
O Aleijadinho como personagem de ficção. Verdades vergonhosas sobre a Guerra do Paraguai. O objetivo da luta armada dos anos 70 não era a liberdade, mas a “ditadura da classe operária”. São algumas das muitas falcatruas que o livro desmoraliza com a verdade histórica, baseado em autores e fontes de diversas origens. São histórias desagradáveis, mas necessárias. Algumas divertem pelo ridículo, outras constrangem. Mas não nos fazem piores ou melhores do que somos. A quem queremos enganar?

NELSON MOTTA é jornalista.

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